FLÁVIO BOLSONARO REAGE A CRÍTICA DE MICHELLE SOBRE APOIO A CIRO E CLASSIFICA FALA COMO “AUTORITÁRIA E CONSTRANGEDORA”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu, nesta segunda-feira (1º/12), às críticas feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contra a aproximação do bolsonarismo com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará para as eleições de 2026. Em declarações à coluna, o parlamentar afirmou que a postura de Michelle foi “autoritária e constrangedora”.
As tensões começaram após Michelle Bolsonaro, durante evento em Fortaleza no domingo (30/11), repreender publicamente o deputado federal André Fernandes (PL-CE) por articular apoio à possível candidatura de Ciro ao governo do Ceará. Segundo Michelle, a movimentação seria contrária à linha adotada nacionalmente pelo PL.
Flávio Bolsonaro, no entanto, afirmou que a ex-primeira-dama atropelou o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria autorizado a articulação conduzida por André Fernandes.
“A forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora”, declarou o senador.
O parlamentar também destacou que o cenário político do Ceará envolve três forças centrais: Bolsonaro, Lula e Ciro. Para ele, apoiar Ciro poderia diminuir a influência local do presidente Lula:
“Partindo do princípio que Ciro é candidato ao governo e não será palanque de Lula, há uma janela de oportunidade para reduzir a força petista no estado”, afirmou.
Flávio ressaltou ainda que a decisão sobre alianças e candidaturas majoritárias nos estados não caberá a ele, nem a Michelle, nem ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mas sim a um grupo interno que discutirá o melhor caminho para o partido.
Segundo apuração da coluna, após o episódio, Flávio Bolsonaro e André Fernandes conversaram por telefone no domingo. Flávio teria pedido desculpas em nome da família pela postura de Michelle. O parlamentar cearense recebeu mensagens de solidariedade de diversos colegas do PL em grupos internos de WhatsApp, que consideraram a fala de Michelle “desrespeitosa” e contrária ao próprio posicionamento de Jair Bolsonaro.
O episódio evidencia uma tensão pública rara dentro do núcleo bolsonarista, envolvendo lideranças de peso e uma disputa estratégica sobre os rumos do partido no Ceará para 2026.