Rompimento velado entre Valmir e Emília se intensifica e revela crise interna no PL sergipano


Desde 2022, a relação entre Valmir de Francisquinho e Emília Corrêa, ambos do Partido Liberal (PL), tem sido marcada por mágoas não superadas — e agora, em 2025, a tensão chegou a um novo patamar, escancarando o distanciamento político entre duas das maiores lideranças da legenda em Sergipe.
A análise é clara: a rejeição à indicação de Emília como candidata ao Governo do Estado em 2022 criou um racha silencioso, que só foi disfarçado momentaneamente por uma fachada de unidade. Mas o tempo tratou de expor que a aliança era frágil. Nesta terça-feira (15), Valmir confirmou publicamente o que muitos nos bastidores já sabiam — ele está sendo isolado das decisões do grupo comandado por Emília Corrêa.
A prefeita de Aracaju surpreendeu nas últimas semanas ao anunciar Rodrigo Valadares (UB) e Eduardo Amorim (PL) como seus pré-candidatos ao Senado para 2026, sem sequer consultar Valmir, principal nome político de Itabaiana e figura de grande influência no interior do estado. Em entrevista ao jornalista Narcizo Machado, Valmir foi direto: “Eu não fui consultado, não sei de lançamento de candidatura de ninguém”. A frase sintetiza o atual cenário de rompimento e desconexão dentro do bloco liberal.
Além de não ter sido ouvido, Valmir deixou claro que seu apoio ao Senado está condicionado à representação local. “Minha intenção é apoiar alguém que seja de Itabaiana e que resida aqui”, reforçou, evidenciando sua insatisfação com a escolha de Amorim, que mora em Aracaju.
Nesse cenário, Valmir tem intensificado conversas com Adailton Souza (PL), ex-prefeito de Itabaiana, cotado como possível pré-candidato ao Senado com seu aval. Adailton, por sua vez, também não poupou críticas à condução de Emília, classificando como “monocrática” a maneira como a prefeita tem imposto os nomes ao Senado. Em entrevista à rádio Itabaiana FM, disparou: “Valmir de Francisquinho, que é a maior expressão política de Sergipe hoje, não foi consultado. Eu também não”.
O episódio escancara a falta de coesão dentro do PL e levanta questionamentos sobre o futuro da sigla no estado. Com a pré-campanha de 2026 ganhando forma, a ruptura entre Valmir e Emília pode provocar uma reorganização de forças, especialmente no interior, onde Valmir mantém sólida base eleitoral.
Se antes havia esperança de reconciliação, hoje o que se vê é o prenúncio de um embate interno que poderá refletir diretamente nas urnas — e, mais do que isso, mudar a configuração da disputa para o Senado em Sergipe.