TRUMP DEFENDE BOLSONARO E AVALIA SANÇÕES CONTRA AUTORIDADES BRASILEIRAS APÓS PEDIDO DE PRISÃO DO EX-PRESIDENTE


O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu as tensões diplomáticas entre Brasil e EUA ao declarar apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro e discutir possíveis sanções contra autoridades brasileiras. A medida vem após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedir a condenação de Bolsonaro a até 43 anos de prisão, no julgamento que apura sua participação em uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Segundo informações obtidas pela coluna de Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, fontes ligadas à Casa Branca revelaram que o governo Trump estuda aplicar punições contra Gonet e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. As sanções poderiam ser baseadas na Lei Magnitsky, usada para punir estrangeiros envolvidos em corrupção e violações de direitos humanos, e na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
Além disso, Trump anunciou tarifas retaliatórias a produtos brasileiros como forma de pressão ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal. Em discursos recentes, o ex-presidente norte-americano classificou as ações contra Bolsonaro como “ataques vergonhosos e antidemocráticos”.
A movimentação política tem apoio de lideranças conservadoras nos EUA e conta com a participação ativa do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que acompanha pessoalmente as tratativas em Washington. O parlamentar, que mantém laços próximos com grupos conservadores norte-americanos, tenta ampliar o apoio internacional em defesa do pai.
No Brasil, a notícia gerou forte reação. Ministros do STF, que preferiram não se identificar, afirmaram à imprensa que a atuação da Corte não será influenciada por pressões externas. “O Judiciário brasileiro atua com base na Constituição e na lei, independente de qualquer ingerência estrangeira”, afirmou um magistrado.
O pedido de prisão de Jair Bolsonaro foi feito por Paulo Gonet nas alegações finais do processo que investiga o “núcleo duro” da tentativa de golpe após a derrota eleitoral de 2022. O procurador-geral classificou Bolsonaro como o “líder de uma organização criminosa” que teria articulado para abolir, de forma violenta, o Estado Democrático de Direito. O ex-presidente também é acusado de dano qualificado por violência e ameaça ao patrimônio público.
A escalada nas tensões marca um momento delicado nas relações diplomáticas entre os dois países, reacendendo o debate sobre soberania, justiça e interferência internacional em processos internos de nações democráticas.