Crise no PL de Sergipe: Racha entre Valmir de Francisquinho e cúpula do partido ameaça unidade para 2026


O Partido Liberal (PL) em Sergipe enfrenta uma grave crise interna que pode comprometer seus planos para as eleições de 2026. A decisão da cúpula estadual e nacional de lançar os nomes do deputado federal Rodrigo Valadares e do ex-senador Eduardo Amorim como pré-candidatos ao Senado acendeu o sinal de alerta entre lideranças do interior, sobretudo no grupo liderado por Valmir de Francisquinho, ex-prefeito de Itabaiana e principal liderança da sigla fora da capital.
A escolha dos pré-candidatos, feita sem ampla consulta às bases regionais, gerou forte insatisfação entre aliados de Valmir. Para esse grupo, a condução do processo evidencia uma centralização excessiva nas decisões partidárias, lideradas pelo presidente estadual do PL, Edivan Amorim, e aponta para um desprestígio às forças políticas do interior que historicamente sustentam o crescimento do partido no estado.
A tensão chegou ao ápice com o anúncio da pré-candidatura ao Senado do ex-prefeito de Itabaiana, Adailton Sousa, aliado direto de Valmir. Em declarações públicas, Adailton não descartou a possibilidade de deixar a sigla caso não encontre respaldo interno. Em entrevista ao portal ItNet, ele foi direto ao apontar a falta de diálogo com as bases e classificou o atual momento do partido como de “dispersão”, alertando que o PL corre o risco de perder musculatura política fora da capital.
“A condução atual das articulações distancia o partido das suas raízes no interior e ameaça a construção de um projeto político coeso para 2026”, afirmou Adailton. As críticas refletem a insatisfação crescente em alas importantes do PL que veem nas decisões recentes um distanciamento dos princípios democráticos internos.
A possível ruptura com o grupo de Valmir de Francisquinho — que foi candidato ao Governo do Estado em 2022 e obteve expressiva votação — pode comprometer significativamente a capilaridade do partido e a formação de chapas competitivas nas eleições estaduais e federais. Para analistas políticos locais, a ausência de um entendimento entre os grupos pode resultar em perdas eleitorais importantes para a legenda.
Apesar da gravidade da situação, a direção estadual do partido ainda não sinalizou disposição para reavaliar os rumos traçados. O cenário, portanto, é de incerteza e tensão crescente, com risco real de fragmentação de uma das forças mais relevantes do campo conservador sergipano.
Com as articulações em andamento e o calendário eleitoral se aproximando, o PL de Sergipe tem pouco tempo para reconstruir pontes e evitar que a crise interna se transforme em prejuízo nas urnas.