SERGIPE À BEIRA DE IMPACTO ECONÔMICO COM TARIFAÇO DOS EUA: EXPORTAÇÕES PODEM DESPENCAR A PARTIR DE AGOSTO

Sergipe está prestes a enfrentar um duro golpe econômico com a entrada em vigor, em 1º de agosto, do novo pacote tarifário anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida estabelece uma alíquota de 50% sobre todas as mercadorias brasileiras que ingressam no mercado norte-americano e pode tornar o estado o terceiro mais afetado do país.
De acordo com informações do Comex Stat, cerca de 31% das exportações sergipanas tiveram como destino os EUA nos primeiros seis meses deste ano, totalizando aproximadamente US$ 54,5 milhões. Os principais produtos impactados serão o petróleo bruto, o suco de laranja congelado e os óleos essenciais, que juntos respondem por mais de 85% dos embarques do estado para o mercado americano.
O peso da nova tarifa é expressivo. Com o aumento de impostos, o suco de laranja congelado — que hoje custa em média US$ 5,48 por quilo — poderá ultrapassar US$ 9, o que o torna pouco competitivo frente a produtos similares do México e do Canadá, países que mantêm acordos comerciais privilegiados com os EUA.
Segundo estudo da Desenvolve-SE, o impacto direto dessa medida pode representar uma perda de até 0,89% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Em valores absolutos, as exportações sergipanas para os Estados Unidos poderiam cair de quase US$ 40 milhões para menos de US$ 12 milhões ao ano — uma retração drástica que ameaça a estabilidade econômica de diversos setores.
Mesmo em um cenário considerado otimista, com parte da produção sendo redirecionada para outros mercados, a economia do estado ainda poderá encolher 0,27% do PIB. Diante disso, técnicos da Desenvolve-SE recomendam uma rápida reestruturação da pauta exportadora de Sergipe, com foco na industrialização de matérias-primas locais e na atração de novos investimentos.
Entre as alternativas apontadas estão o fortalecimento da indústria petroquímica e da cadeia de cítricos, além de incentivos à instalação de fábricas de cosméticos, aproveitando o potencial dos óleos essenciais já produzidos no estado. O objetivo é agregar valor à produção e reduzir a dependência do mercado norte-americano.